Sem estrogênio e progesterona, o fezolinetanto atua no centro de controle da temperatura corporal. Saiba mais sobre o medicamento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em junho de 2025, o fezolinetanto (que será comercializado sob o nome de Veoza), um medicamento não hormonal indicado para os sintomas vasomotores moderados a graves associados à menopausa, principalmente fogachos e suores noturnos — sintomas que frequentemente afetam o sono, a disposição e a qualidade de vida.
Fezolitanto substitui a reposição hormonal?
O fezolinetanto não substitui a terapia de reposição hormonal da menopausa, mas amplia as possibilidades de tratamento nessa fase.
“A terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores nas mulheres que apresentam indicação e não possuem contraindicações. Além disso, ela pode trazer benefícios sobre outros componentes do climatério, como sintomas geniturinários e prevenção da perda de massa óssea, dependendo da formulação e da indicação”, afirma Rita Dardes, ginecologista da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A médica explica que o fezolinetanto foi desenvolvido especificamente para reduzir fogachos e suores noturnos moderados a graves. Por isso, não deve ser apresentado como um tratamento para todos os sintomas da menopausa.
O fezolinetanto não contém estrogênio nem progesterona. Ele atua diretamente no centro de controle da temperatura corporal, localizado no hipotálamo. “Uma maneira didática de explicar é: ele funciona como se ajudasse a recalibrar o termostato do cérebro, que se torna desregulado pela queda do estrogênio”, detalha a ginecologista.
Avanço no tratamento dos sintomas da menopausa
A Febrasgo considera que a aprovação representa uma inovação relevante e que amplia o arsenal terapêutico disponível para o cuidado das mulheres no climatério.
“É um avanço porque até o momento não tínhamos tratamentos não hormonais para os sintomas da menopausa com eficácia, que parece alta, conforme os estudos têm demonstrado com este medicamento”, afirma Lucia Paiva, ginecologista e presidente da mesma Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo.
O fezolinetanto é especialmente relevante para mulheres que têm contraindicação para a terapia de reposição hormonal, como as com câncer de mama, que já tiveram doenças cardiovasculares, que apresentaram efeitos adversos ou resposta inadequada ao tratamento hormonal. Pode ser ainda uma opção para aquelas que, após receberem orientação adequada, preferem um tratamento não hormonal.
Individualização do tratamento continua essencial
Dardes ressalta que não existe uma solução única para todas as mulheres.
“A terapia hormonal continua tendo papel fundamental quando bem indicada, e o fezolinetanto passa a integrar o conjunto de opções que devem ser escolhidas de acordo com sintomas, idade, tempo de menopausa, comorbidades, preferências e perfil de risco de cada paciente”, pontua a ginecologista.
Como acontece com toda nova tecnologia, a Febrasgo destaca que o uso deve ser acompanhado de prescrição responsável, farmacovigilância, monitoramento dos dados de segurança em vida real e discussão sobre acesso ao tratamento.
Possíveis efeitos colaterais
Em relação aos efeitos adversos do fezolinetanto, Paiva diz que o mais comum é a cefaleia (dor de cabeça), sintoma relatado por cerca de 9% das mulheres estudadas, mesmo número das que usaram placebo.
“Nos estudos de fase 3, foram relatadas elevações das enzimas hepáticas TGO e TGP em 2,3% das usuárias, mas foram alterações assintomáticas e revertidas ao normal dentro de um mês após parada da medicação, sem repercussões clínicas”, completa a médica.
Preço ainda não foi divulgado
A aprovação da Anvisa não garante disponibilidade imediata do medicamento. O preço e a data de lançamento ainda não foram definidos, mas a expectativa é de custo alto.
“O medicamento foi aprovado pela Anvisa e agora está na segunda fase, que é a de precificação. Porém, não temos informações de quanto será o custo no Brasil. Nos Estados Unidos, ele é um medicamento de custo alto. Na Europa, parece que é um pouco menor, mas de qualquer forma será um medicamento de custo alto e não tem nenhuma perspectiva de ser fornecido pelo SUS”, explica Paiva.
Na rede pública, estão disponíveis algumas terapias hormonais para o tratamento dos sintomas da menopausa, mas as opções ainda são limitadas.
Fonte: Coluna Dráuzio Varella