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Como procurar ajuda após uma tentativa de suicídio

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Profissionais de saúde são fundamentais no enfrentamento dos sentimentos negativos e complicações que podem surgir

Culpa e vergonha são alguns dos sentimentos que podem surgir após uma tentativa de suícidio. É comum que pessoas que tenham passado por essa situação cheguem ao atendimento médico ou psicológico levadas por amigos, familiares e terceiros.

Mas buscar ajuda profissional faz parte do processo de reconhecer e elaborar o sofrimento. Além de desenvolver estratégias para lidar com a dor emocional, o cuidado também pode evitar complicações graves de saúde. É importante lembrar que a ideação suicida é multifatorial e existem centros de atendimento preparados para acolher pessoas em crise.

Atendimento imediato após uma tentativa de suicídio

“Quanto mais rápido [o paciente] for atendido e encaminhado a departamentos de emergência, melhor. Do contrário, a pessoa acaba sofrendo mais complicações, tendo um tempo de internação mais prolongado e enfrentando um risco maior de vir a falecer”, explica Camila Lunardi, médica emergencista e presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

O médico emergencista costuma ser o primeiro a realizar o atendimento após uma tentativa de suicídio. O paciente é encarado como um paciente de trauma e todos os recursos da medicina disponíveis são utilizados para o salvamento imediato.

Depois que o quadro se estabiliza, começa o cuidado emocional. O acompanhamento pode ser em casa ou no próprio hospital, caso seja necessária internação. 

Plano de segurança

“Um psicoterapeuta ou psicólogo pode oferecer um espaço de fala seguro, positivo e terapêutico. Isso serve para elaborar melhor esses sentimentos e compreender o que está envolvido no contexto de onde ocorreu a tentativa. Se a pessoa já faz acompanhamento com algum profissional de saúde mental, é importante buscar esse profissional com quem já existe vínculo para trabalhar melhor esses sentimentos”, recomenda Camila Altavini, psicóloga especialista em prevenção do suicídio.

Após a tentativa de suicídio, o acompanhamento psicológico também se torna um trabalho de prevenção: é o chamado plano de segurança.

Ele começa com a identificação dos sinais de que a pessoa pode estar entrando em crise. Esses sinais variam muito de pessoa para pessoa, mas podem ser:

  • taquicardia;
  • irritação fora do padrão;
  • flashbacks de eventos traumáticos;
  • agitação;
  • pensamentos negativos;
  • entre outros.

A partir daí, com a ajuda de um profissional, a pessoa passa a desenvolver estratégias para interromper a crise, como o uso técnicas de tolerância ao mal-estar (colocar o rosto em uma bacia com água gelada ou fazer um exercício de respiração que leve à autorregulação, por exemplo).

“É importante reforçar que são estratégias que precisam ser treinadas no contexto terapêutico. Isso é necessário, inclusive, para ver qual delas funcionará melhor para cada paciente. Sabemos que é difícil, mas é algo que precisa ser treinado, possibilitando uma certa autonomia que o paciente precisa para ter a segurança de que é capaz de lidar com situações difíceis”, destaca Altavini.

O que amigos e família podem fazer para ajudar?

Uma das estratégias do plano de segurança consiste em identificar pessoas com quem o paciente pode contar no momento de crise. Muitas vezes, eles não querem falar sobre a ideação suicida, mas buscam uma distração.

Se a crise já estiver se desencadeando, a dica é que os amigos e familiares direcionem a pessoa para uma atividade simples e prazerosa, como jogar um jogo de tabuleiro ou fazer uma caminhada. 

Também é importante estar atento às questões de segurança do ambiente, observando se há medicamentos por perto ou objetos com os quais o indivíduo possa se ferir. 

É fundamental que a rede de apoio também busque apoio psicológico. Em último caso, a recomendação é chamar os serviços de emergência, onde há profissionais preparados para lidar com situações extremas.

Fonte: Portal Drauzio Varella

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